
Historicamente falando, na arte, nossos sentidos e pensamentos limitavam-se ao visual e estático. A estética fixava-se no contemplar passivamente as obras, procurando interpretar a real intenção do artista.
Com o advento tecnológico ocorre um deslocamento dessa maneira de pensar e sentir. O observador deixa de contemplar, apenas, e passa a interagir com as obras, no intuito de ajudar a construir e melhorar a ideia do artista. O que nos torna co-autores da obra. Passa-se a ter uma preocupação maior com a interatividade, tornando o antigo observador em participante ativo no processo de criação artística. A interação com o usuário, possibilitada com as novas tecnologias, permite remover o usuário de seu próprio corpo mergulhando-o em ambientes virtuais que podem, inclusive, serem controlados por seus sentidos direta ou indiretamente. Não se limita controles manuais, expande-se essas possibilidades com controles ativados pelo movimento corporal, seja respiração, olhar, entre outros.
Essa nova maneira permite explorar sentidos anteriormente esquecidos, deixados adormecidos. O uso das tecnologias aliados à arte permite acordar esses sentidos propiciando um novo olhar, uma nova maneira de pensar a arte, pois abre possibilidades antes inexistentes devido às limitações e até mesmo a nossa indiferença a certos sentidos. Deixa-se as limitações corpóreas e projeta-se os sentidos além-carne. É possível sair do corpo e assumir um “corpo” sem carne, como uma extensão não limitada ao mesmo. Projetam-se os sentidos a um universo criativo, repleto de possibilidades, limitado-se apenas pela imaginação de cada um.
Novas tecnologias tornaram-se não apenas extensões físicas, mas abrangem nossos sentidos, transpondo-os aos limites da arte.
Marciano Lagni Capellari
Mark Douglas Freiberger
Nícolas Panazzolo do Amarante
Sarah Martinelli Benedetti